Farmácias de Serviço

História

As Origens de Selho S. Jorge

A toponímia antiga e moderna desta freguesia constitui documento mais remoto da sua história, anterior ao século XII – excepção à sua arqueologia. Uma das antigas designações de sítio era “sainhas”, derivado de “sainha” que era nome comum no romance – o mesmo que “salina” hoje, termo de origem erudita e artificial, porque “sainha” seria o único genuíno da nossa língua, por ter vindo do português popular; mas o seu étimo está no latim salina, através da série fonética salina – saina – saïa (i nasal) – sainha. A questão do topónimo reduz-se à averiguação se resultou de “sainha”, já português popular, se de “salina”, o étimo latino.
O mosteiro de Guimarães possuía, já no século XI, bens na área desta freguesia de S. Jorge e as inquirições de 1220 na paróquia “de Sancto Georgio de inter Avem e Selium” apuraram que, dos muitos casais da freguesia, só três eram da coroa, dando a terça parte do pão e a metade do vinho, cada um, e direituras iguais em dois deles, mas um tanto diversas no outro. Havia na paróquia certos reguengos: campos ao Pombal, do sítio de Midi, dando terça e direituras (capão, dez ovos e uma quarta de vinho); “vessadas” no mesmo local, que os moradores da Quintão tinham direito de agricultar, “e foi tempo que as lavrou o mordomo, e encontrou-se que deviam agricultá-las de Quintão, e então o mordomo deixou-lhas” (Inquirições de 1220); outros reguengos cultivados pela Quintã e vários na Portela, com diversos foros e direituras. O resto da freguesia, descontadas propriedades de fidalgos, era constituído por herdades de vilãos herdadores, algumas delas afossadeiradas, com foragens diversas de umas para outras. Entre os bens da “ordens”, citavam-se em 1220 dois casais e searas da igreja paroquial (S. Jorge).
As Inquirições de 1290 na “freguesya de Sam Jorge” dizem que esta “é toda devassa, salvo quanto jaz aí de Varziela, que é da freguesia de Negrelos” (hoje, Paraíso), situação que D. Dinis respeitou. As Inquirições de 1301 chamam S. Jurge de Negrelos a esta freguesia de S. Jorge de Selho: “freguesia de San Jorge de Negrelos”, pela vizinhança de Negrelos (ora Paraíso). As de 1308 assinalam “na freguesia de Sam Jurgo de Amtre Ave e Selho, várias perdas abusivas de direitos reais, na Quintãa, em Sainhas, em Arravaldi”, correspondendo aos actuais Lugares de Quintão e Arrabalde.
(Extracto da “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”)


Contos e Lendas

Povoação castreja existiu no alto do Monte da Santa, em Selho S. Jorge. Ali se encontram vestígios de muralhas e outras fortificações, muito embora grande parte das pedras que a formaram tenham sido empregues a erguer paredes de muitas casas da freguesia. Neste monte foram encontrados machados de pedra polida característicos do Neolítico, que hoje estão guardados no Museu da Sociedade Martins Sarmento.
Este monte tem dois nomes. Um deles é Monte da Senhora. Tal denominação assenta numa lenda que diz que covinhas que existem num penedo situado no cimo do monte foram feitas pelas pegadas da jumenta que transportou Nossa Senhora, aquando das suas andanças por terras da Lusitânia. No mesmo penedo existem também pegadas de um galo. Estas, como as da jumenta, não são mais do que formações naturais.
A outra denominação do monte, a de Monte da Santa, tem origem numa imagem de Santa Anastácia que ali teria sido desenterrada em tempos remotos. Junto com a estátua apareceu um sino, tendo ambos sido transportados para a igreja do Paraíso, então denominada de Inferno, e que, ao tempo, era uma freguesia independente (veio a ser anexada a Selho S. Jorge para efeitos administrativos em 11 de Maio de 1888 e para todos os efeitos em 27 de Fevereiro de 1902). Durante muito tempo, imagem e sino andaram em bolandas, entre o Paraíso e S. Jorge. Conta-se que, durante a noite, a imagem, conluiada com o sino, fugia para a igreja de S. Jorge. Estas incursões nocturnas terão estado na origem de disputas entre as duas freguesias, já de si rivais e desavindas. Dizia uma das partes que a imagem e o sino lhe pertenciam de direito. Dizia a outra, a parte de S. Jorge, que a imagem e o sino não gostavam da hospedagem do Paraíso e por isso fugiam para S. Jorge. A contenda culminaria com o roubo da imagem praticada pelos de S. Jorge. Estes ficaram com a Santa Anastácia. E os do Paraíso remediaram-se, contentando-se com o sino.
No mesmo monte, na encosta voltada para os Sumes, existe um penedo onde se vê um sulco que teria sido feito por uma cobra, acreditando-se que aquela gravura corresponderá ao rasto de uma terrífica bicha que outrora assolaria a região, tendo sido derrotada por S. Jorge (orago local, como é sabido). Tal bicha, que provavelmente não seria mais nem menos do que o dragão da lenda, viria a ser ferido de morte em tremendo combate, travado com S. Jorge. A perpetuar a batalha, existe na igreja da freguesia uma imagem que representa a derrota do monstro, que soçobrava sob o peso cortante das estocadas certeiras do santo, matador de dragões.
É deveras plausível que esta mítica e localizada interpretação do combate de S. Jorge com o Dragão (a Serpe) tenha a ver com antigas refregas da reconquista cristã, ocorridas nas redondezas daquela eminência castreja (e quiçá aproveitada como reduto castelar alti-medievo).
Nas imediações da Igreja ter-se-ão detectado materiais arqueológicos, indiciando estruturas de povoamento do domínio romano.
A toponímia local poderá, por seu lado, guardar idênticos testemunhos de interesse arqueológico. Serão esses os casos do Lugar do “Castro” (talvez a sobredita estância castreja “da Senhora”) e do Lugar da “Moura”, relacionado com o aspecto característico da cultura rural portuguesa do Minho, com referência à existência de mouras encantadas ocultas algures por estes montes e campos fora.
Segundo a lenda, as mouras são mulheres estranhas e belas que povoam os cumes e as encostas dos montes e que penteiam os seus longos cabelos sentados em cima das pedras. As mouras que cantam e de quem o povo conta histórias de encantamento e de assustar. As pedras milagrosas, que falam, que cantam, que curam as doenças e que escondem grandes tesouros e pestes medonhas. De mouros já todos ouvimos falar. Mas, afinal, quem serão?
Estes nada têm a ver com os verdadeiros mouros, os árabes que, a partir de 711 d.C., ocuparam a Península Ibérica. São muito mais velhos do que eles. As tradições que falam de mouros estão muito espalhadas em toda a região de Entre – Douro – e – Minho. Porém, dos árabes, praticamente não se encontram influências a norte do rio Douro. Os mouros das lendas não são mais do que os nossos antepassados que viveram nesta região antes da concretização vitoriosa do processo de cristianização da Península Ibérica. Foram eles os construtores das povoações mais antigas, dos castros, das antas, de todos os monumentos megalíticos. Esses mouros, que aparentemente desapareceram sem deixar rasto nem descendentes, continuam ainda hoje a habitar pedras, rios, fontes e montes do Minho. São os “mouros encantados” de que nos fala o povo. Sobre a sua permanência entre nós, contam-se muitas lendas. Lendas e histórias que Francisco Martins Sarmento (1833 – 1899), ilustre arqueólogo vimaranense, recolheu laboriosamente nas suas incursões por terras do Norte de Portugal.


A Paróquia do Paraíso

Uma das paróquias fundadas na longínqua era da implantação do cristianismo foi a então designada por “São Miguel de Negrelos”. O primeiro documento que o insigne investigador da história local, o Padre João Gomes de Oliveira Guimarães e que ficaria mais conhecido por “Abade de Tagilde”, nos apresenta na sua compilação de documentos relacionados com Guimarães e seu termo a que deu o título de “Vimaranis Monumenta Histórica” é a Kartula de Sancto Michaele de Negrellus e que é datada do ano de 870 da era de Cristo. Este documento refere-se à dotação e fundação da Igreja de S. Miguel de Negrelos feito por Flumarico e sua mulher Gundula e Scelemondo e sua mulher Astragundia.
O topónimo “Negrelos” é actualmente de todo desconhecido no local, mas informa aquele ilustre historiador que por meados do século XIV era a paróquia ora designada por “S. Miguel de Negrelos” ora por “S. Miguel do Inferno” e enquanto a primeira designação foi caindo progressivamente no esquecimento, a segunda prevaleceu até meados do século XVI, quando o Arcebispo de Braga D. Frei Bartolomeu dos Mártires a substituiu por “S. Miguel do Paraíso”, nome que jamais seria abandonado e que actualmente toda a gente usa.
O mesmo historiador fala que o mosteiro “aqui fundado” o foi por inspiração de Gumasto ou Gurmeado, 12º bispo do Porto, que o sagrou em 876, dedicando-o a S. Miguel Arcanjo, acrescentando o mesmo documento que está situado in villa Negrellus territorio bracarense Urbinum Portugalenses.
O “mosteiro” referido por Oliveira Guimarães seria simplesmente a igreja ou teria existido anexa uma outra construção, como é de supor, dado que o mesmo documento fala também de religiosas, que naturalmente teriam a sua própria residência? A ser verdadeira esta hipótese, não restam actualmente vestígios de tal construção que pode ter sido simplesmente devorada pelo decorrer dos anos ou então totalmente submersa por outras construções que, entretanto, foram surgindo e que ainda existam ao lado da actual igreja.
Temos assim que esta paróquia, velha de muitos séculos e seguramente 250 anos anterior à fundação, teve sempre de constante ao longo da sua milenar existência o seu orago – o Arcanjo S. Miguel – enquanto que o topónimo foi variando do inicial “Negrelos” ao actual “Paraíso” e passando pelo de “Inferno”.
Quando é que “Negrelos” foi substituído por “Inferno” e este por “Paraíso”? Não será fácil encontrar datas precisas para essa alteração de nomenclatura, mas uma coisa é certa: “Negrelos” manteve-se bastante mais tempo que “Inferno” e “Paraíso” leva já mais de quatro séculos de uso, como alguns documentos o atestam. Com base nestes, registamos os seguintes topónimos:
- Negrelos, desde a fundação até meados do século XIV;
- Inferno, desde meados do século XIV até à segunda metade do século XVI;
- Paraíso, desde a segunda metade do século XVI até à actualidade.
O Abade de Tagilde diz que a freguesia de S. Miguel do Paraíso foi “anexada civilmente a Gondar em Janeiro de 1896. É um tanto estranha esta anexação, pois no extremo sul do Paraíso as duas freguesias confinam, enquanto a fronteira com S. Jorge de Selho é de longe a mais extensa, além de haver uma maior proximidade entre os respectivos centros (se tomarmos estes pela localização das respectivas igrejas), sendo também melhores e mais directas as vias de comunicação.
A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira informa que a freguesia do Paraíso foi anexada à de S. Jorge de Selho para efeitos administrativos em 11 de Maio de 1888 e para todos os efeitos em 27 de Fevereiro de 1902. Estas informações só poderão dizer respeito a S. Miguel do Paraíso como entidade político – administrativa (autarquia) e não como unidade religiosa (paróquia), pois teve sempre pároco próprio até 1916, quando a assistência religiosa passou para o pároco de Gondar e depois para o de S. Jorge de Selho em 1927.
Em conclusão, podemos dizer que a pequena paróquia de S. Miguel de Negrelos, depois do Inferno e finalmente do Paraíso, se manteve sempre autónoma das suas vizinhas desde a longínqua data da sua fundação, em 870, até à segunda década do século XX, ou seja, durante cerca de 1050 anos, como entidade paroquial e religiosa, enquanto que como entidade civil – freguesia – ficou definitivamente agregada a S. Jorge de Selho em 1902.
(Extracto de “São Miguel do Paraíso, uma Paróquia Anexada”, de Adelino Ribeiro de Abreu, 2004)


Pevidém e a Indústria Têxtil

O mais recente topónimo da freguesia é o de Pevidém (nome de um Lugar), que terá passado a identificar não só a freguesia como toda uma alargada área em redor. Esta denominação que se julga vir do século XIX (existem documentos de 1900 que já utilizam esta designação) e que associa o nome de um casal outrora importante na freguesia – a Casa do Pevidém, da família Araújo Salgado – a uma história que remonta à época da ocupação castelhana do País. Esta história foi publicada por Eugénio Portugal, no Jornal “Notícias de Guimarães”, de 16/11/1968, e está associada à construção do Oratório de Santo António. A importância do referido casal no tecido social da freguesia foi factor determinante para a propagação da denominação Pevidém.
A configuração social da freguesia é marcada desde meados do século vinte pela actividade de produção industrial de tecidos. Numa primeira fase, uma tal actividade prolongava a tradição local de cultivo, fiação e tecelagem do linho, que tinha a zona de Guimarães como centro, quase desde a formação da nacionalidade. Normalmente o trabalho era em regime caseiro, desenvolvendo-se, posteriormente, o trabalho de fiação e tecelagem do algodão, principalmente entre os anos de 1884 e 1923, período em que se vai registar um desenvolvimento muito significativo da indústria têxtil algodoeira. Enquanto desapareciam as assedeiras e a tecelagem do linho, a indústria de tecidos de algodão e linho, a tinturaria, a fiação e a tecelagem de malha de algodão progrediam. A cultura do linho diminuiu em extensão no concelho de Guimarães ao mesmo tempo que os tecidos de algodão mais baratos e leves invadiam os mercados.
Data da década de 1880 a criação, por uma geração pioneira de empresários locais, das primeiras tecelagens na freguesia, em pequenas oficinas e aproveitando a energia hidráulica localmente, verificando-se em 1908 a primeira industrialização da fiação do algodão com a montagem de 720 funções na Fábrica do Moinho do Buraco.
A “indústria mecânica” aqui concentrada, desde muito cedo se orienta para a exportação, dando origem a uma configuração territorialmente diferente, com uma concentração da produção em fábricas dotadas de grandes instalações.
Progressivamente, as fábricas vão ocupando o lugar que os campos de cultivo tinham na paisagem e não obstante ser ainda hoje possível encontrar algumas manchas agrícolas em pleno interior da freguesia, são as coberturas ovais e as chaminés fabris ao alto que constituem as marcas mais impressivas da mesma paisagem  
O florescimento da indústria têxtil criou milhares de postos de trabalho e dia e noite, vinte e quatro horas, milhares de pessoas tornaram-se obreiros da grande gesta fabril de Pevidém. Ao longo dos anos assistiu-se a períodos áureos da indústria têxtil, com destaque para as décadas de sessenta e setenta (meados), mas também se foram registando fortes crises, que têm levado ao encerramento de empresas, diminuição de postos de trabalho e consequente aumento do desemprego. São conhecidas as crises da década de oitenta e noventa que abalaram empresas importantes, de que são exemplo a Têxteis Lopes Correia que faliu e a Coelima que entrou num processo de reestruturação e de drástica diminuição de postos de trabalho.
Mais recentemente tem-se assistido ao encerramento de mais empresas e ao despedimento de trabalhadores, agudizando-se a situação social de uma região muito dependente da mono - indústria têxtil.


A Marcha da Fome

Um dos períodos de maior crise social em Pevidém, foi durante a Segunda Guerra Mundial (1939/45) e anos subsequentes (1946/49), havendo muita miséria, falta de alimentos e o seu racionamento. Foi então criado a IGA (Intendência Geral dos Abastecimentos), que distribuía ao público senhas para o levantamento dos principais alimentos, como arroz, açúcar, azeite, óleo e outros. Mas, como estes eram insuficientes havia necessidade de recorrer ao mercado negro, às amizades dos funcionários ou ainda ao próprio suborno. Além daqueles géneros, o mais importante para os trabalhadores, era o milho, que por escassez era vendido livremente para que os padeiros o procurassem e pusessem à venda. O povo formava filas à porta das padarias e quantas vezes depois de longas horas de espera aquele alimento acabava.
Foi devido à falta de pão para os seus filhos que o povo de Pevidém, num acto de desespero se reuniu e veio para a rua. Homens, mulheres e crianças, em marcha silenciosa, de bandeiras e panos pretos empunhados em sinal de fome, percorreram a pé a distância até Guimarães (6 Km), exibindo panos pintados com dísticos, onde se lia: “Temos fome, queremos pão para os nossos filhos, queremos paz com pão” e outros slogans. Refira-se que o Governo de então mandava para o estrangeiro camiões carregados de géneros alimentícios, vestuário e outros, com dístico: “Sobras de Portugal”.
Viam-se no desfile homens de todas as idades, mulheres grávidas, de filhos ao colo, enquanto milhares de trabalhadores de todas as profissões se foram juntando, pelo caminho, àquela marcha de protesto, que ficou conhecida como Marcha da Fome do Povo de Pevidém. Esta marcha que passou pela Sede do Sindicato Têxtil para nela incorporar o Presidente do Organismo, Belmiro dos Santos Martins, foi junto da Câmara de Guimarães, lançando gritos de desespero, pedindo pão para os seus filhos e outros slogans já citados.
O Presidente da Câmara, depois de ouvir a exposição que lhe foi feita, prometeu envidar todos os esforços junto do Governo no sentido de que jamais faltasse pão para os seus filhos. Como na altura não era permitido transitar milho de concelho para concelho, pois era apreendida a mercadoria pela GNR e os transportadores eram presos, a Direcção do Sindicato Têxtil solicitou ao Administrador do Concelho autorização para trazer de Celorico de Basto quatro camionetas de milho, pedido que foi atendido. O Sindicato comprou aquele produto alimentar e fez a sua distribuição pelos trabalhadores de Pevidém.
Não há dados exactos que permitam datar a Marcha, pois a imprensa local e nacional, devido à censura, não reportou o acontecimento. Contudo, o jornal clandestino "Avante", na edição da segunda quinzena de Maio de 1944, refere um protesto do povo de Pevidém contra a falta de pão e relata que "no dia seguinte forças da GNR foram a Pevidém para prender alguns dos manifestantes. Então o povo levantou-se em massa contra a GNR, dizendo que para prenderem um ou dois tinham de prender todos, porque todos tinham protestado. Em face da magnífica atitude do povo de Pevidém, a GNR viu-se impotente para realizar as ordens do chefe fascista e não fez uma única prisão".


Figuras do Passado

A história de Pevidém está associada a figuras ilustres do passado, que é sempre bom recordar. São personalidades ligadas ao desenvolvimento local, designadamente ao nível do florescimento da indústria têxtil. Daí que sejam merecedoras de figurar na toponímia local, havendo ruas e praças de Pevidém a ostentar os seus nomes.
Aqui ficam os registos biográficos de algumas dessas personalidades, que se distinguiram em prol do progresso e do bem comunitário de Pevidém.

FRANCISCO INÁCIO DA CUNHA GUIMARÃES (1864 – 1947)

Francisco Inácio da Cunha GuimarãesFoi fundador da antiga Fábrica do Moinho do Buraco em 1897, iniciando a laboração com seis teares mecânicos e um torcedor. No processo de expansão da Fábrica, inaugurou-se em 1908 uma secção de fiação, com 720 fusos.
Engrandeceu o seu activo industrial com a Fábrica de Santo António do Caído (1922), mais tarde designada Fiação e Tecidos de Serves – Pedome e em 1931, adquiriu, em comunhão de interesses com seus filhos e com Alberto Pimenta Machado, a fábrica Empresa Industrial de Pevidém.
Tornou-se uma das figuras mais representativas das actividades fabris vimaranenses, o que lhe valeu ser agraciado, pelo Governo da Nação, com a comenda de Mérito Industrial.
Foi um grande benemérito de Pevidém, através da doação dos terrenos do Campo da Feira, a cuja Praça foi dado o seu nome, bem como dos terrenos onde estão implantados a escola primária e o edifício dos Correios. No seu tempo esteve sempre associado às grandes obras de desenvolvimento de Pevidém.

ALBANO MARTINS COELHO LIMA (1892 – 1979)

ALBANO MARTINS COELHO LIMADescendente de uma família humilde, aos 11 anos começou a ajudar o pai que se dedicava à arte de sapataria. Surge também integrado na Banda Musical de Pevidém, que o seu pai, Manuel Martins Coelho Lima, criara em 1894, e da qual viria a ser, ao longo da sua vida, o maior dos animadores e impulsionadores.
Aos 13 ou 14 anos, começou a trabalhar na Firma Francisco Inácio da Cunha Guimarães & Filhos, primeiramente como ajudante de calandrador e posteriormente, como empregado chefe de armazém e mais tarde como fiel responsável de fábrica.
Com 30 anos de idade, instalou na sua casa, edifício da actual Farmácia Confiança, o seu primeiro tear manual. Era o princípio da Firma Coelima, em 1922.
Entre 1930 e 1948, já com a ajuda dos seus filhos mais velhos, instala, no Lugar do Miral, os primeiros teares mecânicos (quatro) e vai crescendo até aos cem, dois dos quais já automáticos. Seguiram-se décadas de crescimento da unidade industrial.
A sua faceta social levou à criação dos Serviços Sociais da Empresa, instalando um Posto Médico, uma cantina, Bairros Sociais e equipamentos desportivas (Campo de Futebol e Pavilhão Gimnodesportivo). A sua faceta cultural está bem patente no apoio dado à criação do Orfeão Coelima e do Teatro Coelima, bem como na sua ligação ao movimento associativo, designadamente à Sociedade Musical de Pevidém, ao Rotary Club de Guimarães e ao Clube Recreativo «Os 20 Arautos», duas associações vimaranenses de que foi sócio fundador. 

D. GUILHERME AUGUSTO, BISPO DE ANGRA (1877 – 1970)

D. GUILHERME AUGUSTO, BISPO DE ANGRAO seu nome completo é Guilherme Augusto Inácio da Cunha Guimarães, irmão de Francisco Inácio.
Estudou os preparatórios eclesiásticos no Seminário de Guimarães, como aluno externo, e completou o Curso Teológico no Seminário de Braga. Ordenado sacerdote em 22 de Setembro de 1900, em Março do ano seguinte, foi nomeado coadjutor do abade de S. Miguel de Serzedelo (Guimarães). Em fins de 1903, foi nomeado pároco de S. Miguel do Paraíso – freguesia que no ano anterior havia sido anexada a Pevidém – e em 5 de Dezembro de 1915 transferido para a paróquia de S. Miguel das Caldas de Vizela.
Em 20 de Junho de 1928, foi eleito bispo da diocese de Angra do Heroísmo (Açores), onde realizou diversas obras de carácter apostólico, humanitário e social.
No ano de 1969 regressou à sua terra natal, Pevidém, onde viria a falecer no ano seguinte, em casa do seu sobrinho Armindo da Cunha Guimarães.

PADRE JOSÉ GONÇALVES (1874 – 1953)

PADRE JOSÉ GONÇALVESA sua acção apostólica nesta freguesia foi deveras notável. Além de grande amigo dos mais desprotegidos, incentivou diversas realizações de carácter social. A sua acção principal culminou com a concretização de um sonho de muitos anos, que foi a construção da actual igreja paroquial, em 1951, uma obra arrojada, na qual o padre José Gonçalves pôs todas as suas forças e o seu entusiasmo.
Além de exercer as funções de sacerdote, foi também, em determinado período da sua vida, prestimoso empresário no auxílio a seus sobrinhos, proprietários da “Fábrica do Alto”, que ainda na infância tinham ficado órfãos do pai. 

DOUTOR MANUEL JOSÉ TEIXEIRA DE MELO (1905 – 1996)

DOUTOR MANUEL JOSÉ TEIXEIRA DE MELOO seu percurso académico inicia-se na freguesia de naturalidade, Carreira, concelho de Vila Nova de Famalicão, onde frequentou a Instrução Primária, que concluiu no ano de 1917, com a aprovação no exame de 2º grau realizado em Famalicão. Frequentou o Liceu de Martins Sarmento, onde concluiu, no ano de 1923, o Curso dos Liceus (7º ano). No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde viria a concluir, em 1929, o Curso de Medicina e Cirurgia. Diplomou-se, depois, no Instituto Ricardo Jorge de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, na especialidade de doenças tropicais.
Exerceu os primeiros anos de medicina em Benavente (Santarém) e Joane (Famalicão), e em 1934 fixa-se em Pevidém, no Lugar de Leiras, onde abriu o seu consultório. Desenvolveu aí, com total disponibilidade, uma intensa actividade profissional, em prol especialmente das classes desfavorecidas, as quais atendia graciosamente.
A sua actividade estendeu-se às freguesia limítrofes, sendo de realçar o trabalho desenvolvido no Hospital de Riba d´Ave, onde foi Director, bem como na Casa do Povo de Ronfe, onde atendia os seus sócios sem cobrar honorários.
Do seu exercício profissional destaca-se ainda: médico Municipal do concelho de Guimarães; médico das Caixas de Previdência e Abono de Família; Subdelegado de Saúde do concelho de Guimarães; pioneiro na área da Medicina do Trabalho em algumas empresas locais e médico da antiga Casa dos Pobres de Pevidém.
Ao nível associativo local, desempenhou cargos nos órgãos sociais da Sociedade Musical de Pevidém e do Clube Industrial de Pevidém.
Para além da Medicina interessou-se vivamente por assuntos de Agricultura, Literatura Portuguesa e História de Portugal, deixando uma profunda e valiosa biblioteca de obras dessas áreas.
Em 28 de Março de 2008, foi constituída por escritura a Fundação de Solidariedade Dr. Manuel Teixeira de Melo, com o objectivo de contribuir para a promoção da população do concelho de Guimarães, em especial da freguesia de Selho S. Jorge, através do propósito de dar expressão organizada no dever de solidariedade e de justiça entre os indivíduos, mediante a concessão de bens e a prestação de serviços. Assumiu o cargo de Presidente da Fundação o filho do homenageado, Engenheiro Manuel José da Cunha Teixeira e Melo.

JOÃO DE CASTRO (1917 – 1980)

JOÃO DE CASTROFilho de Maria Rosa de Castro e de Adriano de Castro, proprietário da Farmácia Confiança, em Pevidém, terra onde era considerado o “médico do povo”. Seu filho, João de Castro, deu continuidade aos bons princípios do pai. Exerceu a sua profissão de técnico de farmácia com todo o brio e dedicação, mantendo sempre um bom relacionamento com os utentes, os quais ajudava e encaminhava com vista à melhoria do seu estado de saúde.
Além da sua profissão, fez parte da Mesa Administrativa do Hospital de Guimarães, tendo a seu cargo a Farmácia do mesmo hospital. Foi também sócio de algumas associações e clubes de interesse público e social, como por exemplo: Clube Recreativo de Pevidém (sócio nº 7); Clube Industrial de Pevidém (sócio nº 160); Grupo Folclórico de Pevidém (sócio nº 31) e Sociedade Musical de Pevidém (sócio nº 30). Foi membro dos corpos sociais da Casa dos Pobres de Pevidém, actual Lar de S. Jorge e da União Velocipédica Portuguesa, Delegação do Porto.

JOÃO PEREIRA FERNANDES (1902 – 1989)

JOÃO PEREIRA FERNANDESFundou em 1933, no Lugar do Montenegro, a empresa J. Pereira Fernandes que tinha como actividade a tecelagem, evoluindo mais tarde para fiação, tinturaria, acabamentos e confecção. A solidez financeira da empresa que fundou e o papel importante desempenhado no sector industrial, ao nível da produção de têxteis - lar, teve reconhecimento público com a atribuição de prémios de desempenho, PME Prestígio, de 1993 a 1996, PME Excelência, de 1997 a 1999, bem como a atribuição pela Câmara Municipal, em 2006, da Medalha Mérito Industrial, em ouro.
Para além da sua actividade como industrial, exerceu o cargo de Regedor na freguesia na década de cinquenta do século vinte.

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