História

História

Os vestígios históricos sobre a origem do povoamento deste território levam-nos ao Neolítico, mais propriamente a vestígios arqueológicos de um castro no monte da Santa na freguesia de Selho S. Jorge. Ali se encontram vestígios de muralhas e outras fortificações, muito embora grande parte das pedras que a formaram tenham sido empregues a erguer paredes de muitas casas da freguesia. Neste monte foram encontrados machados de pedra polida característicos do Neolítico, que hoje estão guardados no Museu da Sociedade Martins Sarmento.

As Inquirições de 1290 na “freguesya de Sam Jorge” dizem que esta “é toda devassa, salvo quanto jaz aí de Varziela, que é da freguesia de Negrelos” (hoje, Paraíso), situação que D. Dinis respeitou. As Inquirições de 1301 chamam S. Jurge de Negrelos a esta freguesia de Selho S. Jorge: “freguesia de San Jorge de Negrelos”, pela vizinhança de Negrelos (ora Paraíso). As de 1308 assinalam “na freguesia de Sam Jurgo de Amtre Ave e Selho, várias perdas abusivas de direitos reais, na Quintãa, em Sainhas, em Arravaldi”, correspondendo aos atuais Lugares de Quintão e Arrabalde (Extrato da “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”).

A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira informa que a freguesia do Paraíso foi anexada à de Selho S. Jorge para efeitos administrativos em 11 de Maio de 1888 e para todos os efeitos em 27 de Fevereiro de 1902. Estas informações só poderão dizer respeito a S. Miguel do Paraíso como entidade político – administrativa (autarquia) e não como unidade religiosa (paróquia), pois teve sempre pároco próprio até 1916, quando a assistência religiosa passou para o pároco de Gondar e depois para o de S. Jorge de Selho desde 1927.

O mais recente topónimo da freguesia é o de Pevidém, que terá passado a identificar não só a freguesia como toda uma alargada área em redor. Esta denominação que se julga vir do século XIX e que associa o nome de um casal outrora importante na freguesia – a Casa do Pevidém, da família Araújo Salgado – a uma história que remonta à época da ocupação castelhana do país. A importância do referido casal no tecido social da freguesia foi fator determinante para a propagação da denominação Pevidém.

A configuração social da freguesia é marcada desde meados do século XX pela atividade de produção industrial de tecidos. Numa primeira fase, uma tal atividade prolongava a tradição local de cultivo, fiação e tecelagem do linho, que tinha a zona de Guimarães como centro, quase desde a formação da nacionalidade. Normalmente o trabalho era em regime caseiro, desenvolvendo-se, posteriormente, o trabalho de fiação e tecelagem do algodão, principalmente entre os anos de 1884 e 1923, período em que se registou um desenvolvimento muito significativo da indústria têxtil algodoeira. Enquanto desapareciam as tecedeiras e a tecelagem do linho, a indústria de tecidos de algodão e linho, a tinturaria, a fiação e a tecelagem de malha de algodão, mais baratos e leves, invadiam os mercados.

Data da década de 1880 a criação, por uma geração pioneira de empresários locais, das primeiras tecelagens na freguesia, em pequenas oficinas e aproveitando a energia hidráulica localmente, verificando-se em 1908 a primeira industrialização da fiação do algodão com a montagem de 720 funções na Fábrica do Moinho do Buraco. A “indústria mecânica” aqui concentrada, desde muito cedo, orienta-se para a exportação, dando origem a uma configuração territorialmente diferente, com uma concentração da produção em fábricas dotadas de grandes instalações. Progressivamente, as fábricas vão ocupando o lugar que os campos de cultivo tinham na paisagem e não obstante ser ainda hoje possível encontrar algumas manchas agrícolas em pleno interior da freguesia, são as coberturas ovais e as chaminés fabris ao alto que constituem as marcas mais impressivas da mesma paisagem.

O crescimento da indústria têxtil criou milhares de postos de trabalho, milhares de pessoas tornaram-se obreiros da grande gesta fabril de Pevidém. Ao longo dos tempos assistiu-se a períodos áureos da indústria têxtil, com destaque para as décadas de sessenta e setenta (meados), mas também se registaram fortes crises. São conhecidas as crises dos anos oitenta e noventa que atiraram muitas empresas para a falência e consequente diminuição de postos de trabalho e aumento do desemprego.

A história de Pevidém está associada a figuras ilustres do passado, como Francisco Inácio da Cunha Guimarães, Albano Martins Coelho Lima, D. Guilherme Augusto, Bispo de Angra, Padre José Gonçalves, Doutor Manuel José Teixeira de Melo, João de Castro e João Pereira Fernandes. Estas personalidades foram determinantes para o desenvolvimento local, ao nível do crescimento da indústria têxtil, mas não só, e fizeram da freguesia um território de referência, daí que sejam merecedoras de figurar na toponímia local, dando nome a várias praças e ruas de Pevidém.

No passado recente, o tecido económico tem-se alterado e diversificado a outros setores de atividade. Proliferam novas empresas alternativas e complementares ao setor têxtil. Instalam-se, maioritariamente em parques industriais e importantes unidades prestadoras de comércio e serviços.